Não devo comer carboidratos quando quero emagrecer?
Ultimamente, as dietas tem se tornado cada vez mais revolucionárias. Mas, essa revolução chega a ser tão grande que muitas delas tentam superar a bioquímica e a fisiologia ou simplesmente manipulá-las ao seu favor, de acordo com o que se estabelece em uma teoria.
Entre as dietas mais comuns, podemos citar a metabólica, ou aquela famosa dieta do Dr. Atkins. Derivada a ela, temos uma gama enorme de dietas voltadas para o emagrecimento com um fundamento básico: O não consumo de carboidratos. Mas, será que essa é realmente a melhor forma para perder peso? Vou além: Será que essa forma ao menos é saudável para os indivíduos que a fazem?
Como sabemos, os carboidratos são fonte primária de energia no corpo. Tanto porque nosso corpo possui aparelho capaz de utilizar a glicose facilmente e, além disso, trabalhar em condições aeróbias, o que traz um rendimento de energia relativamente alto. Além disso, os carboidratos exercem papéis fundamentais de estoque no organismo, sendo convertidos em glicogênio muscular (em maior proporção), glicogênio hepático (que tem a principal função de manutenção da glicemia corpórea) e, quando há excessos, os carboidratos são convertidos em Triacilglicerol e armazenados no panículo adiposo. Mas, não unicamente eles podem ser convertidos em TAG r armazenados no Panículo adiposo: Qualquer macronutriente em excesso (proteína, carboidrato e lipídio) é armazenado, afinal, a última coisa que o corpo faz bem é eliminar o que lhe é útil.
Então, nos parece um tanto quanto óbvio imaginar que na falta desses nutrientes, a tendência será de degradação dos estoques. E isso é teoricamente correto. Primeiro o glicogênio muscular, para o músculo, o hepático para todas as outras células e depois o Panículo adiposo. Mas, em alguns momentos e situações fisiológicas, não poderíamos deixar de citar a degradação muscular e, obviamente, o desvio das proteínas para a via glicolítica.
Basicamente, o que acontece após um jejum prolongado (leia-se sem o consumo de carboidratos), em cerca de 10-15h é um evento denominado gliconeogênese, que é a síntese do glicogênio através de outros materais orgânicos como proteínas e ácidos graxos. Esse evento é sinalizado principalmente por um hormônio chamado Glucagon e por baixos níveis de insulina por períodos prolongados. Logo, apesar da importância da interação do Glucagon com o AMPc, não há tanta efetividade quando olhamos por esse outro lado. Aliás, por falar na insulina, não vejo o menor sentido de dizer que carboidratos geram grandes picos de insulina e proteínas não. Primeiro porque comprovadamente alguns aminoácidos como a L-Leucina são capazes de estiimular a secreção insulínica. E segundo por que picos de insulina não contribuem para o emagrecimento ou não, segundo a JISSN. Todavia, se mesmo assim você quiser evitar esse pico, seja mais esperto: Consuma carboidratos fibrosos de médio ou baixo índice glicêmico e fim.
Este artigo foi escrito por: Marcelo Sendon (@marcelosendon)

24 de outubro de 2011


