Saiba já e aprenda como Driblar a fome com especiarias:
Não é exclusividade ou privilégio de ninguém sentir fome. Ao menos que estejamos com algum distúrbio seja psicológico ou não, somos naturalmente programados para senti fome nas horas em que o corpo carece por energia e normalmente, este momento é associado especificamente com a citoglicopenia hipotalâmica, ao contrário do que imaginava-se antes com a hipoglicemia.
Pois bem, senti fome não é algo necessariamente agradável. Digo, sentir fome e poder saciá-la e é realmente um dos maiores prazeres da vida e, essa sensação é até mesmo comparada aos campos de prazeres sexuais do cérebro. O problema maior é sentir fome por períodos prolongados e, não poder saciá-la. Calma, não estou falando de pessoas que não tem o que comer (o que já é uma situação muito triste), mas sim, de pessoas que estão na famosa “dieta”. Apesar de sabermos que dieta vem do grego e quer dizer hábito, ou seja, todos nós esta palavra tem sido associada com a restrição de alimentos para a perda de peso.
Quem já esteve de dieta e realmente passou fome, ou vontade de comer, sabe o quanto são importantes estratégias para driblar essa fome. Hoje, quero apresentar uma das diversas formas que temos para fazer isso que é com o uso de especiarias, ou alguns tipos de temperos. Além do prazer do sabor de muitos deles e da possível saciedade que eles podem ajudar tanto em níveis físicos quanto em níveis psicológicos, estes alimentos, se assim podemos chamá-los podem beneficiar-nos em outros aspectos também, conferindo ainda mais saúde à dieta.
1 – A pimenta
Seja do reino branca, do reino preta, caiena calabresa ou outras inúmeras espécies, a pimenta talvez seja uma das especiarias mais conhecidas no mundo e uma das mais utilizadas também. Acho difícil uma cultura que não tenha se quer um prato levemente apimentado, ou alguma preparação que vá pimenta. Japoneses, utilizam a raiz forte (que tem sabor apimentado), ingleses utilizam em algumas carnes e molhos, brasileiros nordestinos em quase tudo, mexicanos então, nem se fala… Pois bem, nos 4 cantos do mundo e em suas diversas formas, secas, frescas, em forma de molho ou outro tipo, as pimentas são ótimos alimentos funcionais. Além de conferirem sabor e picância, as pimentas são alimentos termogênicos, que aumentam a temperatura corpórea e consequentemente fazem o metabolismo gastar mais calorias, são alimentos que ajudam a suprimir o apetite, não possuem valor energético significativo (com exceção da páprica picante e doce que possuem cerca de 5kcal/g) e podem ser utilizadas basicamente com qualquer preparação. Algumas pesquisas revelam que cada grama de pimenta pode queimar cerca de 45 calorias! Um ótimo número, não?
As pimentas ainda podem auxiliar na redução do colesterol, no auxílio a liberação de noradrenalina e adrenalina (que também são hormônios altamente sinalizadores de lipólise e auxiliam pessoas com algum tipo de depressão), no combate a algumas bactérias prejudiciais ao corpo humano, no combate a pressão alta, câncer e aumento da imunidade.
Quando falamos de pimentas, basta apenas tomar cuidado e não sair confundindo a utilização de pimentas naturais com molhos industrializados de pimentas que podem conter óleos, outros ingredientes calóricos, como o açúcar ou até mesmo altos teores de sódio, que em excesso pode ser extremamente prejudicial não só para a aparência física (devido à retenção hídrica), mas também à saúde.
2 – Canela
A canela é tipicamente utilizada em alguns doces, mas algumas culturas a utilizam também para preparações de pratos salgados e/ou agridoces, como a culinária indiana. A canela é um alimento extremamente saboroso e que poucas pessoas na gostam. Na realidade, a canela por si só não possui sabor, mas sim, aroma. Entretanto, nosso sistema respiratório tem forte conexão com o paladar, por isso da sensação de sabor.
Levemente ardidinha, a canela possui diversos benefícios: O primeiro deles é a ação termogênica, que assim como a pimenta, aumenta o metabolismo basal. Em segundo lugar, a canela ajuda na prevenção e na amenização do odor dos gases, o que é extremamente conveniente para nós que nos alimentamos muitas vezes com alimentos que causam certa flatulência como gema de ovos, batata doce, feijões e alguns vegetais como o brócolis e o repolho. Porém, o terceiro e mais importante benefício que tem sido avaliado em alguns estudos com a canela é a melhora que a mesma causa na sensibilidade a insulina. Isso tem ajudado não só pessoas sadias a melhorarem ainda mais a resistência à insulina, mas também tem sido eficaz em diabéticos do tipo II.
Isso acontece porque, para a glicose entrar na célula, em especial as dependentes de um receptor chamado GLUT-4, há necessidade de que a insulina sinalize através de um receptor na membrana uma cascata de reações intracelulares para a captação de glicose. Porém, quando falamos em resistência à insulina, essa sinalização é prejudicada pela falta de exposição de receptores de insulina na membrana celular. O resultado é que não conseguimos carrear efetivamente a glicose para dentro da célula. Porém, por mecanismos ainda não totalmente entendidos, a canela parece ativas canais de cálcio na célula, fazendo com que esses receptores possam ter melhor efetividade.
Costumo dizer que a canela é muito versátil. Ela pode ser utilizada em mingaus, na comida, nos shakes (até mesmo os com albumina, para melhorar o sabor), no leite, simulando um arroz doce light, com canela, arroz integral e adoçante, em panquecas, em cremes protéicos, em algumas frutas como a banana e assim por diante. Entretanto, diante de tantos benefícios, caso a canela ainda não seja sua preferência gustativa, vale a pena polvilhar um pouco direto na boca com um pouco de esforço antes de algumas refeições, obtendo então assim o máximo de benefícios.
3 – Orégano
O orégano é uma erva seca com um gosto característico. Conhecido por ser utilizado em diversas preparações salgadas (principalmente em pizzas, em salgados tipo bauru e comidas italianas) ele é uma erva que popularmente é amada por uns e odiada por outros. Há pessoas que, se quer conseguem chegar perto de alimentos que contenham orégano. Outras, adoram aquele sabor característico.
Seja qual for sua preferência, o orégano pode acrescentar diversos benefícios na dieta. O primeiro deles, claro, é o sabor (para quem gosta, óbvio!).
4 – Alho
O alho é base de quase todas as refogas. Também utilizado nos diversos cantos do mundo, o alho é um bulbo com odor típico e forte e gosto ardido e também típico. O alho é utilizado largamente em diversas culturas, inclusive sendo misturado com alguns ingredientes atípicos como o iogurte, na culinária síria.
Não só pelo excelente benefício de seu sabor que, inclusive muitas vezes pode substituir o uso de sal convencional, o alho é um alimento muito interessante para a flora intestinal, garantindo efeito antibactericida e também para suprimir levemente o apetite. Comidas que possuem certa quantidade de sabor, normalmente causam saciedade um tanto quanto mais rápido.
Apesar de 100g de alho possuírem em média 163 calorias (mais do que o dobro de 100g de batata inglesa, por exemplo), isso não é um problema: Devemos lembrar que para cada preparação, 1 ou 2g de alho, dependendo da quantidade (3-4 pessoas) já é suficiente para os temperos (dependendo da preparação em questão, é claro).
O alho ainda aumenta o sistema imunológico de maneira incrível e é um potente combatente a doenças cardiovasculares (inclusive na redução do colesterol).
Uma boa dica para retirar o odor de alho das mãos, que é tão desagradável, é através do limão. Esfregando um pouco de limão nas mãos e lavando-as em seguida, o cheiro tende a desaparecer de maneira mais eficaz e também mais rápida.
5 – Cuidado com a cebola
A cebola pode ser considerada um alimento prebiótico odiado por uns, amado por outros, com diversas propriedades como vitaminas antioxidantes entre outras substâncias benéficas ao corpo (em especial ao intestino e ao sistema cardiovascular) e baixíssimo teor calórico, o que é fato. Entretanto, a cebola possui propriedades que abrem o apetite (principalmente quando utilizada crua), o que a torna não muito conveniente para indivíduos que buscam o emagrecimento. Procure utilizar quantidades menores de cebola e, de preferência que a mesma esteja presente em preparações, como refogas de alguns pratos.
Lembre-se que quando falo de preparações com cebola, me refiro ao uso de maneira “convencional” e não, por exemplo, cebolas fritas ou cremes (patês) de cebola que levam ingredientes mais calóricos e não interessantes como o óleo de fritura, o próprio empanado, a maionese etc.
Conclusão:
Saber lidar com temperos é acrescentar sabor à dieta sem desperdiçar a qualidade nutricional desejada, fazendo da dieta algo mais fácil e mais viável a ser seguido.
Este artigo foi escrito por: Marcelo Sendon (@marcelosendon)

6 de janeiro de 2012



