Devo usar carboidratos após o treino no período de cutting?
Um dos nutrientes que gera mais platôs, mitos e tabus ainda é o carboidrato. Este composto tão mistificado de carbonos, hidrogênios e oxigênios realmente consegue tirar o sono de muitos indivíduos a ponto de serem criadas um milhão de histórias sobre seus efeitos metabólicos.
Apesar de todas essas conversas de achistas e de mídias, não podemos negligenciar a importância desse macronutriente tanto em período de ganho de massa muscular quanto de cutting, afinal, ele é a fonte primária e melhor aceita de energia para o corpo humano. Mais do que isso: é através dos carboidratos que temos maior parte de nossas energias para executar as funções fisiológicas, metabólicas e, claro físicas. Devemos lembrar inclusive que na ausência de carboidratos, o corpo entra em um processo de gliconeogênese, produzindo corpos cetônicos e, através de outros compostos (normalmente lipídios e proteínas) forma novas moléculas de glicose para serem utilizadas conforme sua necessidade.
O que quero abordar de maneira breve neste artigo não é a utilização dos carboidratos em si, que considero indispensável na vida de qualquer um, mas sim, a utilização de carboidratos no período pós-treino. Será mesmo que eles são necessários ou será que existem opções melhores? Quais tipos deveriam ser usados?
Pois bem… Não poderia deixar de começar descrevendo o modismo dos anos 90 no exterior que refletiu a pouco tempo atrás no Brasil: O uso de TCMs ou no inglês MCTs. Estes são Lipídios de Cadeia Média, ou seja, lipídios com cadeias de até 8 carbonos. O impacto e o efeito desses lipídios após sua ingestão é basicamente um: Fornecimento de energia, assim como os outros lipídios, mas com a diferença de que eles não precisam de emulsificação para sofrerem absorção intestinal, ou seja, entram de maneira rápida na corrente sanguínea justamente por possuir maior solubilidade em água, quando comparados com lipídios de cadeia longa ou muito longa, lembrando que os hidrocarbonetos presentes nas fórmulas dos lipídios são insolúveis, justificando a afirmativa de que quanto maior a cadeia, menor a solubilidade.
Isso fez com que alguém imaginasse que, devido a rápida absorção (até mais rápida do que alguns carboidratos) ele poderia ser usado como fonte de energia no período pós-treino. E em partes, devo dizer que se a função de um nutriente energético no pós-treino fosse unicamente fornecer energia, ele estaria de bom tamanho. Além disso, suas propriedades termogênicas afirmadas por alguns, nunca foram comprovadas, colocando mais um ponto negativo ao seu uso.
Mas esperem! Esse realmente não é o ponto chave da não utilização de TCMs no pós-treino. Os carboidratos exercem impacto endócrino extremamente importante na ressíntese de glicogênio muscular, na melhoria da absorção de creatina e na opressão ao cortisol (com pequenas secreções insulínicas). E é bem nesse ponto que já poderíamos deixar os TCMs de lado e utilizá-los sim como energia, mas em outros períodos, tomando sempre cuidado com os problemas gastrointestinais que ele pode ocasionar em indivíduos mais sensíveis e que utilizam mais do que 30g/dia (diria eu que 20g/dia já seriam suficientes para esses distúrbios).
Este artigo foi escrito por: Marcelo Sendon

31 de outubro de 2011


